Domingo, 1 de Julho de 2007

MONTE REAL-LEIRIA(1)

 
FREGUESIA  MONTE REAL
 
Distinguem-se em Monte Real duas partes: a antiga, localizada numa colina dolomítica, que deve o seu nome (Real) à permanência do Rei D. Dinis e sua esposa Rainha Santa Isabel, quando da plantação do Pinhal de Leiria e das obras de enxugo dos campos do Ulmar; e a moderna, localizada na zona mais baixa deve o seu desenvolvimento ao estabelecimento termal.

Apesar da sua referência como povoação só aparecer em Outubro de 1292, altura em que foi fundada por D. Dinis, existem vestígios a comprovar a passagem e permanência de povos em épocas mais remotas, romana e até neolítica.

Monte Real é uma Vila de características urbanas com alguns espaços de cariz rural, onde se pratica uma policultura tradicional de subsistência a par de uma monocultura moderna com base no cultivo do milho que se desenvolvem também pelos restantes lugares que formam a Freguesia (Serra de Porto de Urso, onde se encontra instalada a Base Aérea n.º5, SEGODIM, GRANJA e BREJO.

A estância termal remonta à ocupação romana em Portugal. É tradicional atribuir-se à Rainha Santa a cura de doentes, mas só em 1806 o Bispo de Leiria D. Manuel Aguiar mandou captar o manancial hidrológico e construir um balneário. Possui as águas mais sulfatadas cálcicas da Península, classificando-se como frias, mesosalinas, sulfidricas cálcicas e magnésicas, cloretadas e bicarbonatadas mistas. Contêm elementos raros de valor e, em quantidades ponderáveis tais como iodo, bromo, flúor, arsénio e outros. São águas muito puras, isentas de contaminação.

As características hidrológicas desta estância termal, aliada à vasta mancha florestal que a rodeia e à qualidade hoteleira, com uma gastronomia saudável, tornaram-na uma das mais procuradas da Península Ibérica.
FREGUESIA MONTE REAL
- História -
Mergulha na noite dos tempos a origem de Monte Real. Desde os tempos pré-históricos sempre despertou a maior cobiça, tanto pela riqueza do seu solo como pela sua situação privilegiada, assenta no alto duma colina

Fundada no Reguengo de Ulmar veio a chamar-se Póbra de Mô Real e Vila da Póvoa de Mon Real. Dos tempos em que tinha este último nome e a sua importância era grande, ainda restam, na parte mais alta da povoação, vestígios do antigo Paço Real, reduzido a uma construção restaurada, onde D. Dinis e a Rainha Santa Isabel terão habitado.
D. Dinis, em 1291, ordenou que se fizesse “abertas” no Paúl de Ulmar, a fim de que recebessem terras para lavrar durante dez anos os que estivessem dispostos ao seu cultivo, mediante o pagamento à coroa de um quarto de “todo o fruto
que Deos hi der”.
Eram os esforços que o poder real fazia para fixar os colonos às terras, oferecendo-lhes condições atraentes para que se estabelecessem. Mas antes que isto fosse possível, tornou-se necessário fazer uma obra colossal.

Em Maio de 1291, o rei anúnciou o início daquela que foi uma das mais formidáveis obras de engenharia hidráulica do seu tempo. À custa do tesouro régio, encarrega os monges agrónomos de Alcobaça de mandar abrir, valar e enxugar os pântanos que se estendiam ao longo do Lis formando o imenso e estéril Paúl de Ulmar. Foram cerca de 2.000 hectares de terras improdutivas que se converteram em
férteis campos de cultura.
Estabelecidos os colonos, D. Dinis em 1310 concedeu foral ao reguengo de “Camaria” que corresponde à região que medeia entre o mar e o monte que fica a cerca de um quilómetro a montante dos Paços de Monte Real. Antes, em 1292, já tinha outorgado foral à sua “Póbra” elevando-a à categoria de vila, com muitos privilégios, liberdades, foros e jurisdição independente da de Leiria.

Em 1463, D. Afonso V vendeu a D. Pedro de Meneses os direitos sobre o campo de Ulmar, permitindo-lhe pôr almoxarife, escrivães, oficiais e juíz, o que rendeu aos cofres
reais uma avultada verba.
D. Manuel I, no foral que concedeu a Leiria em 1510, em vez de reparar esta situação, ainda mais a agravou, onerando os reguengueiros de Ulmar com tributos pesadíssimos. Seria por esta altura, 1512, que Monte Real se ia desanexar da freguesia de S. Tiago do Arrabalde de Leiria para juntamente com Carvide e Vieira formar uma nova, criada pelo bispo da Guarda, D. Pedro, prior-mor de Santa Cruz de Coimbra.

Mas Monte Real perderia em 1632, o lugar de Carvide e Vieira para a constituição da nova erecta de Carvide para em 1740 ser aquele segundo lugar elevado a freguesia.
Com a Restauração de 1640, à família Vila Real seriam confiscados todos os seus bens em benefício da coroa. Para além disso, devido aos serviços prestados aos Filipes, o Marquês e seu filho foram degolados. Monte Real, passados dois séculos, regressa ao domínio régio, o que se alteraria 12 anos depois ao ser incluida nos bens da recém-criada
casa do Infantado.
Em meados do século XVIII, o donatário da vila era o Infante D. Pedro. Nessa época a freguesia era habitada por 693 pessoas residentes em 239 habitações, dedicando-se à agricultura e à indústria. A população continuava a crescer, o desenvolvimento era grande e nas vésperas das invasões francesas, o número de habitantes era de 894. Após as mesmas restavam 330 moradores.
Mas apesar de todo o seu passado histórico Monte Real,    deve muita da sua fama às termas.
Águas frias, mesossalinas, sulfidricadas cálcicas, sulfatadas cálcicas e magnésicas, coloretadas e bicarbonatadas mistas e radioactivas. Constituem um tipo único na hidrologia nacional, embora semelhantes, sobre certos pontos de vista,
às da Curia e Caldas da Rainha.

Do património da vila de Monte Real ressalta o seu pelourinho, datado de 1573, assente num pódio de três degaus e brasonado junto ao remate; a ermida de S. Martinho contendo uma escultura de pedra, figurando o santo venerado, policromada, de finais do século XVI, com meio metro de altura e muito interessante pelo seu arcaísmo; e o Paço Real, de cujo primitivo edifício subsistem alguns paramentos, bastante arruinados, onde se rasgam dois arcos góticos, um dos quais gabletado.
Monte Real envolvida por todos os lados de uma densa mata de pinheiros e eucaliptos, é recomendada pela pureza do ar, a bondade das águas e a amenidade quase inalterável da temperatura. Os arredores são encantadores e do alto das termas obtem-se uma soberba vista sobre os cabeços dolomíticos de Monte Real e Monte Redondo, dos quais os separa o campo da Salgada, coberto de juncais e banhado a meia distância pelo Lis.
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publicado por alfredocr às 02:10
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1 comentário:
De Rosane Duarte Rosa a 14 de Janeiro de 2010 às 16:16
Essa região é para mim um misto de emoções e curiosidades, já que meu avô "José Duarte Rosa - filho de Manuel Duarte Rosa e Maria Diniz" nasceu aí e veio ainda jovem (19 anos) para o Brasil. Pretendo ir conhecer a terra que meu avô tantas vezes descreveu com lágrimas nos olhos. A saudade e o fascínio que ele tinha por sua terra natal é minha herança mais preciosa.

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